Produtor no centro: resolver antes de responder

9/09/2025

Na semana passada comecei a falar aqui sobre os Valores da Culttivo. Eles são a base do nosso jeito de pensar e agir, não importam as circunstâncias ou resultados. Hoje sigo essa série para destacar um valor que nasceu de um ajuste importante: antes chamávamos de Foco no Produtor, mas entendemos que ainda não traduzia tudo o que acreditamos.

Por isso, evoluímos para Produtor no Centro. Ter foco pode significar olhar de fora, prestar atenção, mas ainda com certo distanciamento. Colocar o produtor no centro é diferente: significa que todas as decisões da empresa giram em torno dele — a bússola que orienta prioridades e o filtro que define o que vale ou não o nosso esforço.

E quando falamos em colocar o produtor no centro, existe uma máxima silenciosa que separa quem ganha a confiança de quem nunca passa da porteira: resolver antes de responder.

Empatia, no agro, não é discurso bonito. É reconhecer a realidade dura que existe por trás de cada safra. Quando chove demais, não há planilha que resolva. Quando falta chuva, não adianta justificativa. Quando o mercado vira, o que importa é ter soluções rápidas e clareza de decisão. O produtor carrega na cabeça muito mais do que o preço da saca. Ele pensa em logística, mão de obra, sucessão familiar, sustentabilidade, clima, crédito, fertilizantes, maquinário, certificações, exportadores, cooperativas… É um quebra-cabeça gigantesco — e muitas vezes solitário.

Tratar esse profissional como alguém que “não entende” é erro. Achar que um aplicativo ou relatório substitui atenção verdadeira é ainda pior. Empatia é sentar junto, ouvir de verdade e se comprometer a buscar resolver.

Na prática, isso significa que quando o produtor traz uma dor, não adianta devolver com justificativas prontas ou promessas vagas. Responder rápido pode parecer bom, mas se a resposta não resolve, é perda de tempo para os dois lados. E tempo, no campo, é insumo caro. Resolver antes de responder exige preparo, conhecimento técnico e autonomia. É pegar o problema, tratar como prioridade e voltar com a solução ou com um caminho claro para chegar nela.

E é importante reforçar: o produtor não precisa de heróis. Precisa de parceiros confiáveis. Ele não é o Nelson da Capetinga, tampouco um Chico Bento. Também não é um “cliente de banco” genérico. Ele é o protagonista do setor econômico mais importante do Brasil. Quem entende isso constrói relações de longo prazo. Quem não entende nunca vai ganhar relevância de verdade.

No fim, resolver antes de responder não é apenas uma prática de atendimento, mas uma filosofia de trabalho. É assumir que o sucesso do agro depende de respeitar o tempo e a inteligência de quem planta e colhe. E esse respeito começa colocando o produtor no centro. Sempre.

 

Por: Gabriel Santos | LinkedIn: Gabriel Santos

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