Liderar é multiplicar
Delegar sempre foi uma palavra desconfortável para muitos líderes. Parece, à primeira vista, que delegar significa abrir mão, perder o controle, se afastar. Mas a verdade é exatamente o oposto: delegar é multiplicar.
Na prática, eu e o Gustavo Foz aprendemos que, quanto mais espaço damos para outros crescerem, mais a Culttivo ganha força. Nos primeiros anos, éramos nós que cuidávamos de cada detalhe. Do crédito à tecnologia, da operação ao comercial, tudo passava por nossas mãos. Esse modelo é inevitável no início de uma startup — mas insustentável quando a empresa ganha corpo.
Nenhum foguete chega ao espaço apenas com um astronauta — é a soma de milhares de engenheiros, técnicos e cientistas. O mesmo vale para o crescimento de uma empresa: se a liderança não multiplica responsabilidades, ela se torna um gargalo.
Deixar a ilha para ver a ilha
Trazer novos líderes foi um divisor de águas. Quando a rotina deixa de depender só dos fundadores, abre-se espaço para pensar no futuro. É aqui que a frase de José Saramago faz todo sentido: “É preciso sair da ilha para ver a ilha.”
E só conseguimos sair da ilha porque contamos com pessoas que conquistaram nossa confiança. Elas não apenas assumiram funções; provaram, com resultados, que merecem autonomia. Esse mérito dos líderes da Culttivo é o que nos permite enxergar a empresa em perspectiva e desenhar como ser melhores e maiores.
Ter as peças certas em posições estratégicas garante que cada área funcione, que cada processo tenha dono, que a engrenagem rode de forma eficiente. Esse arranjo nos permitiu sair do detalhe e pensar no todo. Hoje conseguimos dedicar mais tempo a criar, a planejar e a fortalecer a visão de futuro.
A abertura dos escritórios em Franca e Varginha simboliza bem essa transição. Não foi apenas sobre espaço físico, mas sobre presença: estar próximo do produtor, com autonomia real para atender e crescer. A Culttivo é resultado de muitas partes bem encaixadas — como um foguete que depende de milhares de peças para decolar.
Orgulho de parecer “inútil”
Dói um pouco admitir, mas é a mais pura verdade: quanto melhor a liderança, mais “inútil” o fundador parece no dia a dia. E isso não é sinal de fraqueza — é sinal de maturidade.
No começo, acreditamos que estar em todas as reuniões e revisar cada detalhe é o que nos dá valor. Com o tempo, entendemos que a verdadeira medida de liderança é quando a empresa segue firme sem depender da nossa presença constante.
Hoje, a Culttivo anda com pernas próprias. E o que poderia ser visto como perda de relevância se transforma em motivo de orgulho: temos líderes e time capazes de sustentar o crescimento que projetamos. A nós, cabe cultivar cultura, visão e estratégia — deixando espaço para que outros brilhem.
Olhar para a Culttivo hoje me enche de orgulho. Somos uma empresa cada vez mais autônoma, com pessoas certas em posições certas, e cada vez menos dependente dos fundadores.
Minha opinião é que o papel de um líder não é segurar tudo para si, mas inspirar, multiplicar e construir algo que ganha força mesmo quando ele já não está na linha de frente. Esse é o maior legado que podemos deixar — e a Culttivo está apenas começando a escrever os próximos capítulos da sua história.
Por: Gabriel Santos | LinkedIn: Gabriel Santos




