Os serviços que as startups do agronegócio criam e lançam têm convergido para uma preocupação em comum: as mudanças climáticas. O meio ambiente parece ter virado prioridade máxima para as agtechs, que sobrevivem de vender boas ideias ao mercado.
Muitas dessas empresas estão participando, em São Paulo, do World Agri-Tech South America Summit, que reúne líderes globais do setor agroalimentar. O evento começou ontem e vai até hoje.
Uma delas é a B4A, startup especializada em análise metagenômica do solo, que tem oferecido suas soluções de sequenciamento genético prioritariamente a produtores que já têm um nível moderado de sustentabilidade no campo. “Nossos produtores estão preocupados em fazer do seu solo um ambiente melhor para as plantas. São produtores que têm uma mentalidade em nível avançado”, afirma Luiz Gustavo Pavão, engenheiro agrônomo da B4A.
A empresa é uma das seis startups que usam o AgNest Farm Lab, uma estrutura de 66 hectares em Jaguariúna, no interior de São Paulo, que funciona como fazenda-laboratório. Criado para testar e validar soluções, o espaço tem como principais investidores a Embrapa, o Banco do Brasil e a Jacto.
O diretor de inovação do AgNest, Leonardo Tostes, diz que o primeiro pilar do projeto é a sustentabilidade. Para ele, as discussões sobre meio ambiente se arrastaram muito a partir dos anos 1980, quando começaram a surgir com mais frequência, mas as enchentes e secas recentes fizeram o tema ganhar protagonismo de vez. “É muito desagradável você ver o mundo se transformando na sua frente e não fazer nada”, afirmou.
Para ele, muitas startups que não tinham planos de reduzir o impacto ambiental de seus negócios passaram a assumir essa mentalidade. “Mesmo que essa transformação não seja ‘legítima’, subir um degrau e reduzir o impacto já é um bom começo”, avaliou.
O segmento de crédito rural é um dos que têm feito da questão climática uma parte dos negócios. A Culttivo, uma plataforma de crédito destinada a cafeicultores, tem a veia sustentável no centro das operações desde que nasceu, em 2019, diz Sirlei Gherardi, gerente regional comercial da startup.
“A preocupação dos produtores com o meio ambiente tem crescido. Quando apontamos alguma irregularidade, muitas vezes o produtor nem tem conhecimento de que ela existe”, conta Gherardi.
A Culttivo usa imagens por satélite para avaliar as áreas de café e gerar créditos de acordo com a regularização ambiental do produtor. “Fazemos a análise ESG da propriedade, avaliando se ela tem trabalho análogo à escravidão ou identificando se há uma infração ou embargo ambiental”, explica Nathalia Trevisan, coordenadora de engenharia de software da startup.
A fintech Agrolend, que financia produtores rurais de pequeno e médio portes, em parceria com revendas, cooperativas e indústrias de insumos e equipamentos, tem identificado a busca por crédito para investimento em sustentabilidade, relata Carlos Fagundes, sócio-fundador da startup. “Os produtores buscam financiamento para investir em novas tecnologias, como produtos biológicos, que têm um apelo ambiental muito forte”, diz.




