Nos últimos dias, voltou ao centro do debate internacional a proposta de Donald Trump de aplicar tarifas de até 50% sobre importações brasileiras, incluindo o café. A medida, se implementada, pode gerar impactos significativos tanto no mercado americano quanto para os produtores brasileiros.
Café mais caro nos EUA, pressão no Brasil
Os Estados Unidos são o maior consumidor de café do mundo, e não produzem praticamente nada internamente. Mais de 25% do café consumido no país vem do Brasil, o que torna os americanos altamente dependentes de origens externas — especialmente das três maiores: Brasil, Colômbia e Vietnã.
Com o café brasileiro sujeito a uma tarifa de 50%, o impacto é duplo:
- Nos EUA, o efeito imediato é aumento de preço para o consumidor final, atingindo cafeterias, indústrias e supermercados.
- No Brasil, há risco de queda na competitividade do produto, o que pode resultar em pressão sobre o preço pago ao produtor, já que o destino americano perderia atratividade para os compradores.
Curto prazo: alta nas cotações, mas até quando?
Com o anúncio das tarifas, houve uma alta imediata nas cotações em Nova York, refletindo o temor de ruptura na oferta global. Mas esse movimento é típico de curto prazo. Caso as tarifas se mantenham, o Brasil pode perder espaço para outros países que enfrentam tarifas menores:
- Colômbia: 10%
- Vietnã: negociando redução para 20%Com menos competitividade, o canal de escoamento do café brasileiro tende a se ajustar, e isso pode afetar a renda de produtores já na próxima safra.
O café no centro da geopolítica
Em um mundo onde o agro está cada vez mais conectado às disputas comerciais e políticas, o café brasileiro entrou na linha de fogo de uma nova rodada de tensões tarifárias. E, como sempre, os impactos recaem sobre quem produz e quem consome.
Por: Gabriel Santos | LinkedIn: Gabriel Santos




